Saneamento e manutenção do abastecimento

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a população mundial pode exceder os 9 bilhões em 2050, com a população urbana passando de 3,4 para 6,4 bilhões. Caso esse crescimento não seja acompanhado por investimentos em saneamento, haverá a escalada do número de pessoas vulneráveis aos impactos da baixa qualidade da prestação de seus serviços, especialmente abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto.

Um quarto da população mundial corre risco de ficar sem água — incluindo regiões do Brasil. Em 2018, segundo o SNIS (SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO), 16% da população brasileira não era atendida com abastecimento de água, 46,8% não contava com coleta de esgoto e menos da metade do esgoto produzido (46,3%) era tratado.

Exemplo disso é o estado do Rio de Janeiro, onde o quadro também é grave, 8% dos cidadãos não possuíam acesso à rede de abastecimento de água e 32% não contavam com coleta de esgoto. Além disso, 64% do esgoto produzido não era tratado. Estudo realizado pela Firjan aponta que a maior participação da iniciativa privada no setor poderia destravar R$ 7,6 bilhões em investimentos no setor, beneficiando 4,8 milhões de habitantes fluminenses.

E qual é a solução?

Levantamento realizado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) revela que o Estado do Rio de Janeiro tem potencial para receber aproximadamente R$ 10 bilhões de investimentos em projetos de saneamento e de abastecimento industrial com água de reúso com a participação da iniciativa privada. A informação foi apresentada durante workshop organizado pela entidade que debateu inovações no setor.

A Firjan identificou 21 oportunidades de concessões e PPPs no estado, referentes ao tratamento de água e de esgoto, o que poderia gerar investimentos de R$ 7,6 bilhões. Já em relação às oportunidades para o abastecimento industrial com água de reúso, a Firjan mapeou seis oportunidades, entre as estações de tratamento de esgoto (ETEs) de maior vazão.

Oportunidades de reuso no Estado do Rio de Janeiro

O estudo da Firjan, intitulado Oportunidades e Desafios para o Reúso de Água na Indústria do Rio de Janeiro, faz um mapeamento das oportunidades, avaliando a localização e as condições de operação das ETE do estado e as demandas industriais existentes no seu entorno. De acordo com o trabalho, as oportunidades se concentram, principalmente, na Região Metropolitana, nas proximidades das ETE de alta vazão Sarapuí (Belford Roxo), Pavuna (Rio de Janeiro), Deodoro (Rio de Janeiro), Jardim Gramacho (Duque de Caxias) e Jardim Catarina (São Gonçalo).

Destacam-se ainda o Distrito Industrial de Santa Cruz, situado próximo à ETE Sepetiba (média vazão), e o entorno das ETE Engenheiro Gil Portugal (Volta Redonda) e Alegria (Resende), no Sul Fluminense, e da ETE Chatuba (Campos dos Goytacazes), no Norte Fluminense.

 

Case de sucesso

Nesse cenário, fontes alternativas para o abastecimento de água são fundamentais para garantia de sua disponibilidade a longo prazo, sobretudo para a indústria, que a utiliza como insumo em diversos processos produtivos. Apesar disso, o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2017 destaca que a água de reúso ainda é um recurso negligenciado pelos usuários, legislação e regulamentação de muitos países.

No Brasil, o abastecimento industrial com água de reúso a partir da operação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) também é uma realidade pouco explorada. Ainda assim, o bem-sucedido projeto do Aquapolo, em São Paulo (o maior empreendimento de água de reuso da América Latina), disponibiliza cerca de 1 m³/s de água de reúso para o Polo Petroquímico do ABC, a mais de 17 km de distância

Segundo a FIRJAN ao compararmos o case do Aquapolo, em São Paulo, e multiplicarmos o valor investido por esses seis projetos identificados, teremos um investimento de R$ 2,2 bilhões. Assim, somando o potencial desses dois levantamentos temos um total de R$ 9,8 bilhões em projetos para aquecer a economia”, pontua William Figueiredo, gerente de Infraestrutura da Firjan.

Você tem dúvidas de como implementar um projeto de Conservação e Reúso no seu setor produtivo? Com as devidas adaptações quanto aos requisitos de Qualidade da Água e seu respectivo uso, a AGF Ambiental pode desenvolver e avaliar a viabilidade técnica/econômica de um PCRA (Programas de Conservação e Reúso de água), seguindo as etapas, para uma melhor Gestão da Água.

Fontes Fonte: Aquasfera, com informações da Firjan